
Nasci em uma época onde muita coisa, muitas atitudes definiam a opção sexual masculina. Para ser mais específica, definiam a virilidade do homem.
Pode ter certeza que, se possível fosse, ao retornar em nossa época, nossos ancestrais iriam se assustar com todas as coisas que iriam testemunhar visualmente e auditivamente, no que diz respeito ao comportamento humano.
Não estou com isso, que fique bem claro, fazer qualquer tipo de apologia às coisas do passado. Longe de mim!
No que diz repeito as cores, rosa, lilás, creme, ou qualquer cor que denotasse sensibilidade, fragilidade ou emoções, eram de meninas, apenas de meninas.
Uma saia era quase que impossível ver vestida em um homem, salvo quando fazia parte da cultura de um povo.
Homem não chorava, não demonstrava emoções.
Homem trabalhava para sustentar a família.
Homem era o chefe da casa.
Homem não realizava tarefas ditas “femininas”.
Apenas o homem tinha poder de voz nas decisões do grupo.
Apenas o homem tinha o direito de ocupar cargos de chefia.
A separação era clara: havia homem e mulher. Qualquer um que fugisse a essa classificação era excluído da sociedade. Vivia em um submundo, temendo ser descoberto.
Mas, a sociedade mudou. A mulher tomou grande parte de um mundo que era exclusivamente masculino. O homem por sua vez, notou que o mundo tido como “feminino” não era impossível ao seu alcance. E os marginalizados encurralados pela sociedade passaram a enfrentar o senso crítico e preconceituoso comum a todo ser humano. Nos tornamos multiculturais. Não existe tão somente o homem e a mulher. A única classificação existente é seres humanos e seres não-humanos (os animais irracionais). Será?
Mesmo com todas as conquistas que já aconteceram ao longo das décadas, ainda somos obrigados a testemunhar cenas de crueldade, de desrespeito, de antipatia em relação ao outro. A ideia de que somos todos seres humanos só existe na mente de alguns poucos. Para a grande maioria, o conceito Humanidade é estrangulado diariamente por atitudes ou pensamentos preconceituosos.
E, a consequência disso tudo é a falta de respeito para com a vida do próximo. Em nenhuma época da história da humanidade tive o conhecimento de tanta crueldade que o homem é capaz de fazer com a vida de outro, por motivos tão banais.
Seria isso tudo resultado, ainda não acabado, da chamada evolução humana? Ou da revolução social-industrial-tecnológica? Não sei a resposta. Talvez daqui a algumas décadas mais, algum estudioso do comportamento humano possa desvendar todo o processo pelo qual passamos. Se é que vamos chegar a algum lugar.
Até lá, procurarei observar, como sempre tenho feito. E, aos poucos, a cada nova descoberta, venho partilhar por aqui.
Quanto ao vestuário. Não é uma roupa que determinará se alguém é homem ou não. Homem, que fique claro, é todo aquele que tem e age com sentimentos humanos. Portanto, o que faz um homem é seu caráter, sua atitude diante da sociedade. O gênero existirá para todo sempre: masculino e feminino. Mas, não é o gênero que define o caráter, a humanidade. É o que o homem faz, a sua parcela para tornar a sociedade o que ela é hoje.